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A melhor aplicação

Depois de um ano de excelente valorização na bolsa de valores, queda dos juros e apreciação do real frente ao dólar, o que podemos esperar para 2008? É difícil afirmar qual será a melhor aplicação. Então, no mundo da economia e finanças, o melhor é trabalhar dentro de uma tendência, e isso é perfeitamente possível. Partindo do pressuposto de que a economia americana terá uma desaceleração na atividade econômica e não uma recessão, abordaremos os seguintes pontos: câmbio, juros e ações. Um agravamento na crise imobiliária, com reflexos no nível de consumo, certamente mudaria o cenário que vamos apresentar, porém, até o momento, não há indícios de tal contágio e sim muita subjetividade nas análises.
No câmbio o principal vetor continuará sendo o equilíbrio entre a balança comercial e a conta capital, ambas inseridas no cálculo do balanço de pagamentos. É fato que nosso saldo comercial vai diminuir nos próximos anos, em função da valorização do real frente ao dólar, aonde o crescimento das importações vem superando os números de exportações. Mesmo assim, ainda deveremos ter um saldo positivo próximo a US$ 35 bilhões em 2008. Já pelo lado da conta capital o cenário é mais otimista, e tudo isso depende de um evento tão esperado pelo mercado: o investment grade. Em uma suposta melhora na nota de crédito do Brasil por agências de classificação de risco, deveremos ter uma grande entrada de recursos estrangeiros, aumentando, assim, a oferta de dólares no mercado interno. Dessa forma, acreditamos que a taxa de câmbio flutue entre a banda de R$ 1,70 e R$ 1,85.
Nos juros o cenário é tranqüilo e novos cortes por parte do Copom deverão surgir ao longo de 2008. Acreditamos que a Selic registre mais três cortes de 0,25 p.p., levando a taxa anualizada para 10,75%. Tudo isso vai depender, evidentemente, do nível de inflação e da taxa de crescimento do PIB. Atualmente projetamos uma inflação de 4,10% no IPCA e de 4,50% no PIB para o próximo ano.
A Bolsa de Valores deve voltar a ser o melhor investimento em 2008. Apesar de este fim de ano apresentar muita volatilidade, acreditamos que o cenário seja favorável para a Renda Variável. Nossas empresas continuam com lucros crescentes e múltiplos atrativos frente a outros mercados. Além disso, a possível queda na taxa Selic deve incentivar uma migração de recursos da Renda Fixa para a Renda Variável. Os fundos de Renda Fixa vêm pagando, em média, 95% do CDI, ou seja, uma rentabilidade de 0,80% a.m. Se retirarmos dessa rentabilidade a taxa de administração dos fundos e o imposto de renda, a taxa final é praticamente igual à poupança. Com isso, vem crescendo o interesse das pessoas em aplicações em ações. Aplicar em bolsa é ser sócio de uma empresa. Encare dessa forma!


Adriano Marques de Sousa
Economista e Gestor de Renda
Variável da Somma Investimentos


Data: 26/02/2008
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